Resenha: A Dark Song

Magia de forma convincente e realista

Steve Oram é o mago Joseph Solomon, e Catherine Walker interpreta Sophia Howard

Quando pensamos em magia nas histórias cinematográficas, é comum imaginarmos ela sendo mostrada de forma mais espalhafatosa, como acontece nos filmes da saga Harry Potter e muitos outros. Raios de luz, bolas de fogo e coisas dessa natureza tendem a impressionar visualmente, dessa forma atraindo mais telespectadores.

Em A Dark Song nós temos magia, mas exibida de outra forma.

Nesse filme de 2016 acompanhamos a história de uma mulher chamada Sophia Howard, que contrata o ocultista Joseph Solomon para auxiliá-la em um processo mágico, no qual pretende alcançar um objetivo específico. Após alugar um casarão no País de Gales, eles dão início ao ritual; porém coisas sombrias acontecem e colocam em risco a vida dos dois.

Aqui praticamente toda a história se desenvolve dentro de um único ambiente: a casa escolhida para o ritual oriundo do Livro de Abramelin. Poucos são os momentos que se passam fora dela, mas isso não compromete em momento algum o desenvolvimento da narrativa; tornado-a chata ou coisa do tipo.

A Dark Song pode ser considerado um filme de terror, mas seu apelo para o gênero não é tão forte, pois não veremos nele coisas típicas de obras mais tradicionais, como sanguinolência e jump scares; porém o clima – que é muito obscuro e pesado – no qual toda a narrativa se desenrola é constante e faz com que o telespectador se sinta realmente apreensivo.

Nesse filme a magia existe, mas não é mostrada de forma fantasiosa, mesmo esse sendo um filme de ficção. Aqui ela é realista e feita através de rituais e símbolos, dessa forma tornando tudo mais convincente e interessante. Os atores não são tão famosos, o que é bom, pois faz com que a gente saia daquele núcleo onde sempre se vê os mesmos rostos em evidência. Aqui eles cumprem bem o seu papel e fazem com que o telespectador se importe com seus destinos.

A Dark Song é um filme muito bem feito e interessante, mas de desenvolvimento lento e sem ação. Dessa forma tornando-se uma ótima opção para as pessoas que gostaram de obras como Hereditário, Nós, Ao Cair da Noite, A Bruxa e qualquer outro trabalho que faça parte do gênero considerado “Pós-Terror“.

NOTA: 8,0 / 10

Resenha: A Batalha do Apocalipse

A jornada de um anjo por todas as eras da humanidade

Essa é a segunda versão da capa do livro

Quando pensamos em anjos e demônios, é muito comum que venha a nossa mente aquele núcleo cristão, onde seres dessa natureza ganharam tanto destaque no decorrer dos séculos. Seja através da Bíblia ou de qualquer outro livro de teor considerado sagrado, eles são os protagonistas e vilões de inúmeras culturas que, mesmo com suas diferenças, acabam possuindo uma semelhança considerável.

Em 2007 o brasileiro Eduardo Spohr lançou o seu primeiro livro; intitulado “A Batalha do Apocalipse: Da Queda dos Anjos ao Crepúsculo do Mundo”, uma obra que conta a história da criação do universo do ponto de vista cristão. Aqui temos um anjo guerreiro chamado Ablon como protagonista; um personagem que demonstra insatisfação com as ações do arcanjo Miguel que, tomado pelo ciúme da raça humana, faz de tudo para destruí-la.

Após iniciar um levante contra Miguel, Ablon é derrotado e expulso do Paraíso com outros anjos, dessa forma sendo considerado um Renegado. Ele então passa a vagar pela terra, e nesse período conhece a necromante Shamira, com quem desenvolve um forte vínculo e que o acompanhará por toda a sua jornada de vingança.

É realmente incrível acompanhar a transição do protagonista imortal pelas diferentes épocas da humanidade. Eduardo consegue transmitir de forma competente o clima e ambientação de cada período histórico através dos olhos de Ablon.

Uma coisa muito interessante nesse livro é que o autor conseguiu acrescentar outras culturas na história de forma satisfatória. Aqui temos um núcleo nórdico, outro asiático e por aí vai. Ou seja, mesmo com o cristianismo sendo o alicerce principal da obra, há espaço para todas as outras mitologias. Aqui elas dividem uma mesma existência.

Eduardo Spohr é um jornalista carioca que demonstra muito domínio no desenvolvimento de sua história. Algo bacana é que ele pega um conteúdo já existente e o desconstrói de forma criativa e competente, dessa forma resultando em um livro que é ao mesmo tempo familiar e inovador para o leitor.

Após esse livro, o autor escreveu a trilogia Filhos do Éden, que se passa durante o decorrer de A Batalha do Apocalipse, porém com outros personagens. Os livros que a compõem são: Herdeiros de Atlântida, Anjos da Morte e Paraíso Perdido. Há também o livro Filhos do Éden: Universo Expandido, que contém diversas informações (hierarquias, organogramas e coisas desse tipo) sobre o mundo no qual as histórias dos quatro livros se passam.

De maneira geral, A Batalha do Apocalipse é um bom livro que apresenta ao leitor uma jornada que atravessa as eras da humanidade, resultando em uma obra cativante e curiosa. Não é a melhor história já produzida por um brasileiro, mas sem dúvida vai entreter e muito quem a ler.

NOTA: 7,8 / 10

Resenha: Os Sete

O despertar de sete monstros no Brasil

Cada um dos vampiros possui uma habilidade única e especial

Quando pensamos em vampiros, não é tão comum associá-los com o Brasil, já que as histórias mais famosas em que essas criaturas aparecem normalmente são produzidas no exterior, como as escritas por Anne Rice (Entrevista com o Vampiro) e Bram Stoker (Drácula). No Brasil são outros seres que fazem parte do imaginário da população, mas apesar disso alguns escritores – como o André Vianco – não seguem certos padrões.

Em seu livro de estreia – chamado de Os Sete – o paulistano André Vianco nos apresenta uma história onde os vampiros são o principal ingrediente. Nela acompanhamos a jornada dos mergulhadores Tiago e Cesar, que encontram uma caravela portuguesa naufragada no litoral brasileiro. Em seu interior eles acham uma enorme e estranha caixa de prata, e conseguem removê-la para estudá-la em um laboratório.

Em seu interior há sete corpos ressacados que, após o contato acidental com o sangue de uma mulher, são despertados aos poucos. Eles são vampiros poderosos e com mais de 400 anos cada; a partir disso vemos então todo o terror causado por essas criaturas em nosso país.

Cada um deles tem um poder específico, com ele tendo total relação com seus respectivos títulos; por exemplo: o vampiro Acordador tem a habilidade de despertar os mortos, enquanto Lobo se transforma em uma fera lupina (praticamente um lobisomem). O leitor sempre fica curioso pra saber qual será a habilidade de cada um deles (além de querer vê-las em ação).

A escrita de André Vianco é boa, sem firulas e descritiva no nível certo. Algo muito agradável nessa obra é que o autor desenvolve toda a história em nosso país, fazendo com que o leitor fique muito mais familiarizado com o conteúdo que está lendo. Nela os personagens humanos são interessantes, mas quem realmente se destaca são os vampiros portugueses (obviamente).

Em suma, Os Sete é um livro intenso, com muitos momentos de ação cinematográfica, personagens cativantes e uma história familiar, do tipo que faz o leitor se sentir ainda mais atraído pelo conteúdo presente na obra.

Os Sete foi o primeiro livro do autor (escrito em 1999) e teve três versões publicadas. A primeira delas é preta e tem parte de um rosto pálido na capa, já a segunda é prateada e tem uma caravela vermelha no centro (essas versões foram publicadas pela editora Novo Século). Na terceira edição – publicada pela editora Aleph – há uma belíssima ilustração feita pelo Rodrigo Bastos Didier.

OBS – Saiba que esse é o primeiro volume de uma saga, sendo sua sequência o livro “Sétimo” e depois a trilogia “O Turno da Noite”.

NOTA: 7,8 / 10

Resenha: O Pistoleiro

“O Homem de Preto fugia pelo deserto, e o Pistoleiro ia atrás…”

Roland Deschain é o protagonista dessa longa jornada

Stephen King é um escritor americano nascido no Maine e famoso por seus inúmeros livros de terror. Dentre eles há os que não são desse gênero, mas os que possuem conteúdo sombrio e medonho são os que mais fazem sucesso. Obras como It: A Coisa, À Espera de um Milagre, O Iluminado, A Dança de Morte, Carrie A Estranha e Cemitério Maldito são apenas alguns dos muitos títulos já considerados clássicos e escritos por ele.

O Pistoleiro é o primeiro volume da saga A Torre Negra, que conta ao todo com oito volumes. Nele acompanhamos a jornada de Roland Deschain, um Pistoleiro, membro de uma ordem antiga que pertence ao Mundo-médio, uma região fictícia na qual habitam diversos seres fantásticos. Roland tem como missão chegar à Torre Negra, pois sabe que ela está em perigo e que se for destruída, toda a existência entrará em colapso e deixará de existir.

Nesse livro Stephen King demonstra de forma palpável ter se inspirado nas lendas arturianas, assim como no universo criado por Tolkien. Isso é visível no nome do local em que a narrativa se desenrola: Mundo-médio, uma explícita referência à Terra-média. Diferente de suas sequências, em O Pistoleiro o autor adota uma escrita de tom mais arcaico e complexo, que mesmo podendo render certa dificuldade a alguns leitores, possui seu charme.

Os personagens da história são cativantes e nisso destaca-se obviamente o protagonista, o amargurado Roland, assim como aquele a quem ele persegue: O Homem de Preto (Randall Flagg), que também aparece em outros livros do autor (que tem o costume de conectar suas obras). Há também o jovem Jake Chambers, um garoto que aparece repentinamente na vida do protagonista e que, mesmo sendo muito diferente dele, o complementa de forma coerente e interessante.

Em suma, O Pistoleiro inicia de forma muito interessante a única saga escrita pelo autor. Mesmo com um linguajar rebuscado e ritmo lento, o livro pode cativar. E a partir do segundo volume a narrativa muda, tornando-se mais fluída; dessa forma sendo melhor para muitos leitores.

NOTA: 7,4 / 10